segunda-feira, 4 de junho de 2007

Al Gore, presidente dos Estados Unidos?

Finalmente surge uma luz na sonolenta, previsível e amontoada corrida presidencial nos Estados Unidos. O ex-vice-presidente norte-americano Albert "Al" Gore Jr., o homem que construiu a internet e há cinco anos percorre o planeta alertando para o derretimento das calotas globais, pode ser o próximo - e imbatível - candidato do Partido Democrata à Presidência, se depender de boa parte do eleitorado, das estrelas de Hollywood e de ícones da tecnologia, como Steve Jobs, dono da Apple. Gore, que sofreu uma roubada da história quando perdeu no Colégio Eleitoral a eleição para George W. Bush em 2000 - fato que até agora não engoliu - é hoje o que se chama de unanimidade nacional, um sentimento que não aparece aqui desde John F. Kennedy e Martin Luther King. Sua apresentação em powerpoint, Uma verdade inconveniente, com a qual ganhou o Oscar de melhor documentário este ano, elevou-o ao favoritimismo para ganhar o Prêmio Nobel da Paz de 2007. Menestrel do aquecimento global, Gore acaba de ser capa da revista Time ("A Última Tentação de Gore") pelo lançamento de seu novo livro, O assalto à razão. Só não assume a candidatura porque está faltando o voto de um eleitor: ele mesmo. A eleição de Gore, que é bom de voto (antes de tornar-se vice-presidente foi deputado federal e senador pelo Tennessee), é importante porque pode mudar o destino dos Estados Unidos, o maior poluidor da Terra, e por conseqüência, de todo o mundo. Sentado no Salão Oval da Casa Branca, Gore significaria a retirada imediata das tropas no Iraque, o fim da dependência do petróleo, seguro saúde universal para os americanos, impulso à internet como arma para a educação e redução da pobreza, a volta dos superávits orçamentários e uma série de quebra de paradigmas que apaixona os progressistas do país. Mais ainda, o mundo voltaria a respirar com a saída da direita religiosa que se apoderou da Casa Branca e que, embora tenha sido eleita duas vezes por metade dos 300 milhões de norte-americanos (ou de seus representantes), torna-se a cada dia mais impopular no país e fora dele. Além de simpático, bem nascido, elegante e ético, Gore é ecológico de carteirinha, a ponto de levar sua cesta para o supermercado e evitar os sacos plásticos poluentes. Formado por Haward em Letras, ex-correspondente de guerra (embora se opusesse ao conflito do Vietnã, foi convocado e serviu como fotógrafo de uma revista especializada, Army Flier), é casado com Tipper Gore, pai de quatro filhos e está ficando rico não só com as centenas de palestras que dá anualmente, mas também com a administração de um fundo de investimentos "verde", que aplica em projetos sustentáveis, Generation Investment Management. Acaba de comprar uma mansão de 1910 em Nashville (capital da música country), Tennessee, de onde escreve seus artigos e comanda o esforço global rumo ao esfriamento do planeta. É membro do board da Apple e do Google, de onde empurra estas empresas para seu movimento ecológico. Diz-se que a derrota política é a pior dor que um homem pode experimentar, e evitá-la novamente é principal motivo que faz com que Gore não caia na vala política e se candidate pela terceira vez à Casa Branca. O político democrata, que atualmente diz não morrer de amores pela política, não foi posto à prova em nenhum cargo público executivo, embora como vice-presidente tenha lançado as bases do que é hoje a Internet. Ao mesmo tempo, não se sabe como Gore reagiria às demandas atuais, como o terrorismo. O que ele faria nos dias seguintes a 11 de setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas e parte do Pentágono foram destruídas por Osama Bin Laden? O Iraque teria sido invadido durante sua presidência? O clima na Terra estaria melhor caso ele tivesse ganho a eleição para a presidência no início do século? Em termos históricos perguntas como estas são despropositadas, mas Gore tem um grande eleitor do outro lado, o presidente George W. Bush. O homem é atordoado todas as noites com a possibilidade de novos ataques aos Estados Unidos e, por causa disto, acorda diariamente tropeçando no front externo e interno. Embora com boas intenções (que presidente não tem boas intenções?), está na hora de Bush passar o chapéu para o sucessor e se livrar da enrascada que meteu seu país nos últimos oito anos.
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