quarta-feira, 19 de março de 2008

Voar é mesmo com os pássaros?

Voar é com os pássaros, era o título do filme de Robert Altman em 1970, mas de uns tempos para cá cada vez mais seres humanos infestam os céus. Segundo a IATA, a associação que monitora e regula o setor, cerca de 4,7 bilhões de passageiros deverão voar até o final de 2008, formando uma indústria que gera cerca de meio trilhão de dólares em faturamento e, melhor ainda, 31,9 milhões de empregos.
Além do mau tempo, do congestionamento dos aeroportos, dos preços dos combustíveis (que engolem cerca de US$ 150 bilhões das empresas aéreas) e das rígidas imposições da segurança, apenas um porém ainda amarra o desenvolvimento desta indústria: governo demais, regulamentos demais e outras mazelas oriundas da época da Segunda Grande Guerra. Obviamente, a título de proteger as chamadas empresas nacionais.
Por isto que a luta agora é por uma injeção de capitalismo no setor, o que geraria mais 24 milhões de empregos e um aumento do Produto Interno Bruto dos países em cerca de US$ 490 bilhões, algo semelhante a tudo que o Brazil produz. Conclusão: há uma intensa (e benéfica) relação entre a liberalização do tráfego aéreo e os benefícios para a economia, como defende o estudo da consultoria Intervistas, um catatau de dezenas de páginas patrocinado pela Boeing, a GE e outras organizações que formam a liderança do setor e que já está disponível na internet (
http://www.iata.org/whatwedo/economics/liberalization-study.htm).
Uma vez liberado, o tráfego tente a aumentar em até 100% em alguns países, promovendo uma reação em cadeia que beneficia toda a população, e não só um bando de executivos cujas empresas pagam pelo transporte aéreo, como era de se supor.
Mesmo à custa do nosso conforto (e dos nossos joelhos), atrasos e cancelamentos muitas vezes sem nenhuma explicação, as 2.092 companhias aéreas já fizeram seu dever de casa: aumentaram a taxa média de ocupação dos assentos para 76%, estão utilizando aeronaves mais eficientes, emitindo bilhetes eletrônicos e cobrando até por café e água lá em cima, o que vem gerando uma economia de US$ 6 bilhões anuais, segundo o que chefão da IATA, Giovanni Bisignani, disse através da PrNewswire.
Mesmo assim, a indústria continua vulnerável, disse ele. “Estamos obtendo um lucro de US$ 5 bilhões este ano, mas ainda carregamos mais de US$ 150 bilhões em débitos, o que significa mais vulnerabilidade do que em 2001, depois do ataque às Torres Gêmeas”. Segundo ele, a aviação comercial já saiu da UTI, mas ainda está doente.
Agora que a economia americana está dando uma freada, Bisgnani está mais preocupado, já que o bem-estar da aviação comercial é apenas um reflexo das economias ao redor do mundo. Daí a nova onda de fusão entre as companhias aéreas, como a provável união entre a Delta (quem já passou pelo aeroporto de Atlanta, na Geórgia, o maior do mundo, tem uma idéia do tamanho desta empresa) e a Northwest.
O setor aeroespacial é o mais atrativo que existe, ou como se diz aqui, é o mais “sexy”, mas esta indústria, que por décadas ficou estacionada em monopólios protegidos por governos, ainda não se acostumou aos ares da livre concorrência. Já não é sem tempo.
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