segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O mundo precisa de um Obama

Está certo que a dupla republicana John McCain/Sarah Palin, confirmada semana passada na convenção de Saint Paul, Minnesota, tem experiência administrativa, história política ilibada e fama entre a metade eleitores norte-americanos que, ninguém sabe porque, insiste em ser republicana depois de oito anos de governo Bush.

Mas para o observador atento que assistiu ao discurso de ambos, os Estados Unidos estão em vias de repetir o desastre bushiano por mais quatro ou oito anos. McCain e Palin são beligerantes, arrogantes, antigos e principalmente míopes para o mundo que trocou a simpatia pelo ódio contra um país que se tornou, desde meados do século passado, a sede do império.

Em outras palavras, o recado que o mundo está dando aos Estados Unidos é: pare de fazer guerra, exerça a diplomacia, ajude o resto do mundo e vamos ser todos felizes. O discurso da dupla – como também de outros republicanos ilustres, como o do ex-prefeito de Nova York Rudolf Giuliani – aponta na direção contrária. É porrada só. No estilo “escreveu não leu o pau comeu”.

Barack Obama, o candidato democrata, pode ser inocente, despreparado e negro num país que celebra com um feriado nacional o aniversário do assassinato de seu maior líder negro – Martin Luther King, Jr., mas tornou-se uma celebridade capaz de reunir mais de 200 mil pessoas num encontro histórico em Berlim, a capital alemã destruída justamente pelos ataques dos aliados na Segunda Grande Guerra.

Ou seja, os Estados Unidos não estão precisando de um síndico, um gerentão ou um executivo com MBA (coisa que Bush ganhou em Harvard). Está precisando é de um líder, como Obama, que com sua harmonia, tranqüilidade e paciência é capaz de tirar o país do atoleiro ou, quem sabe, do labirinto em que se meteu.

Os republicanos são muito criticados, mas, verdade seja dita, construíram ao longo dos anos o que os Estados Unidos são hoje. A abolição da escravatura, o centro no indivíduo, a meritocracia, a industrialização, a responsabilidade fiscal e a certeza de que o governo – qualquer governo – rouba do indivíduo a capacidade de reação quando lhe ajuda com um bolsa família qualquer.

Mais do que tudo, criaram um país que nasceu com um formidável business plan – a Constituição norte-americana – e a respeitam até hoje, seja nos mínimos detalhes ou nas grandes decisões. De uns tempos para cá, no entanto, se meteram com a direita religiosa (30% do partido), coisa que os pais fundadores do país tentaram evitar a qualquer custo, não para proteger o Estado, mas sim as religiões.

Agora o sonho americano está morrendo. Não só pelos neo-republicanos, mas talvez porque os impérios se revezam de tempos em tempos. Se os Estados Unidos quiserem prevalecer no seu papel de centro do mundo, para onde convergem todas as rotas – como se dizia de Roma, precisam fazer as pazes consigo mesmo e com o resto do Planeta.

Coisa que Barack Obama faria com facilidade. Podem apostar.
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