sábado, 31 de janeiro de 2009

Conversando a gente se entende....


Seattle - Você prefere ler aquele manual de 300 páginas ou perguntar para seu colega como se faz para instalar o seu programa de email? Já foi chamado de burro porque não suportava ficar boa parte da sua adolescência sentado numa cadeira ouvindo qualquer marciano falar o que você não entendia? Já caiu no sono - e sonhou com uma praia distante - durante um treinamento na sua empresa?
Se você disse sim a qualquer uma destas perguntas você não está sozinho. Especialistas em educação - presencial ou à distância - finalmente estão dando o braço a torcer e reconhecendo a chatice que é o processo de aprendizado, desde que algum insensível na antiga Grécia criou o professor, a sala de aula e um monte de alunos que estão ali como se estivessem no purgatório.
Para Jay Cross, o autor de Learning:Rediscovering the Natural Pathways that Inspire Innovation and Performance, o aprendizado já mudou - só que a maioria das pessoas, especialmente os empresários que precisam adequar suas empresas aos novos e mutantes tempos, ainda não percebeu.
A educação, como se sabe, continua sendo a grande e sustentável vantagem competitiva na idade do conhecimento, onde somos pagos para pensar, ao contrário de 100 anos atrás. Mas o problema é que hoje a velocidade das mudanças é tão grande que o mercado - empresas, alunos etc - não suporta mais pagar os custos da ineficiência do aprendizado tradicional. Por isto o ser humano aprende muito mais trocando mensagens on line, blogando, fazendo podcasts, escrevendo em wikis, jogando no Wii, trocando informações no Orkut ou simplesmente encostando no colega ao lado e perguntando. Em outras palavras, fazendo o que fomos feitos para fazer: comunicar, socializar, entreter e sermos entretidos.
O problema é que as gerações antigas, incluindo eu e você, leitor, não conseguimos imaginar uma escola sem professor, uma empresa sem prédios, um negócio sem chefe. Ainda somos viciados em conceitos que, já morreram ou estão fadados a morrer. Confundimos seriedade com trabalho duro. Não concebemos que as chamadas relações estruturadas - a escola, o govenro, a empresa - não estão seguindo mais a fantástica, confusa e inesperada capacidade do ser humano de criar conceitos, estabelecer conexões, ter os chamados insights, progredir independentemente de qualquer controle, de grande irmãos ou líderes.
"Por isto a chamada conversação é a mais poderosa tecnologia de aprendizado do planeta", disse Jay Cross numa recente entrevista ao web site da Adobe, uma empresa que está apostando tudo na colaboração on line. "O que os empregados fazem quanto tem uma dúvida? Perguntam para os colegas que estão mais próximos deles". É uma prática comum. Daí, segundo ele, a tendência de networking online (ou off line) não só nas empresas, mas em tudo quanto é lugar. A reboque, uma incrível troca instantânea de conhecimento que vai levar o progresso a níveis exponenciais, com boa parte dos seres humanos se comunicando 24 horas por dia, 7 dias por semana.

* Dirige a The Information Company nos Estados Unidos. www.vidaamericana.com.br
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