quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Montanha russa ou casa dos horrores?


2008 não ficará na história como o ano em que os investidores americanos perderam mais de 7 trilhões de dólares em ações, foram obrigados a devolver suas casas para os bancos ou assistiram à sua aposentadoria evaporar. Fora estes fatos, que irão direto para o Guiness, o livro dos recordes, 2008 irá se tornar o ano em que, pela primeira vez nas nossas vidas, foi bobagem fazer qualquer planejamento para 2009, simplesmente porque ainda não sabemos o que acontecerá com nós neste ano que se inicia.
Por que? Primeiro porque as coisas, contrariando a teoria do fundo do poço, não param de piorar. O barril de petróleo, que chegou a US$ 150 no último verão aqui, agora está abaixo de US$ 40 - trata-se de notícia ruim, já que significa falta de demanda. O valor de mercado da General Motors, já socorrida pelo governo norte-americano, está abaixo do que era em 1927. Instituições financeiras tradicionais, como Bear Stearns e Lehman Brothers, já não existem, e como lembrou o MarketWatch, do The Wall Street Journal, é normal agora a bolsa subir e descer 900 pontos num mesmo dia.
Em segundo lugar, nunca ninguém viu uma recessão como esta, onde a atividade econômica em todo o mundo parece desmoronar como num castelo de cartas. O S&P Broad-Market Index, que reúne mais de 11 mil ações de país em desenvolvimento e países emergentes, caiu US$ 17,7 trilhões do início do ano até agora. Em Novembro, o Banco Mundial disse que a economia da China vai diminuir seu crescimento para 7,5% ano que vem, o pior nível desde 1990. As ações na Rússia caíram 72%, Turquia 68% e Índia 67%. No Japão, o índice Nikkei registrou os menores índices em 26 anos, e o país já se declarou em recessão. A Islândia, país que ninguém sabia que existia até pouco tempo, perdeu 81% do valor de suas ações com investimentos em fundos de altíssimo risco. Até sobrou para o Brasil, que perdeu 25% do Bovespa, a maior perda em apenas um mês durante os últimos dez anos.
Além de muita gente boquiaberta, o que vimos até agora foram diferentes governos em todo o mundo despejando dinheiro no mercado e regulando-o a fim que não se cometam mais excessos, como se o capitalismo, por si só, fosse um excesso, e governos, pela sua própria natureza, fossem exemplos de lisura e competência. Só o governo norte-americano endividou-se ainda mais e imprimiu dinheiro (isto mesmo, rodou a maquininha) para injetar estes trilhões no mercado, inclusive em participações acionárias, e ainda reduziu a taxa de juros a zero. Está apenas devolvendo para o mercado o que o mercado lhe deu na forma de impostos durante todos estes anos.
Como disse Hugh Johnson, chairman of Hohnson Illington Advisors, que está de olho no mercado há 40 anos, o problema agora é que não existem palavras para descrever o que está acontecendo, se é recessão ou depressão, se trata-se de uma arranjo natural do capitalismo ou se é o que se convencionou chamar de fim de mundo. "Gostaria de usar a comparação com uma montanha russa", diz Paul Nolte, da Hinsdale Associates, "mas está sendo mais uma viagem de ida à casa dos horrores".
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