terça-feira, 24 de novembro de 2009

Se mandando para o espaço, literalmente

Seattle - A Virgin Galactic já está batendo recordes de vendas de
passagens para viagens de turismo espacial a partir de 2012. Cada
passagem está custando US$ 200 mil, mas para garantir o lugar basta
pagar US$ 20 mil. O vôo sub-orbital, que no início será realizado
apenas uma vez por semana, sairá do Aeroporto Espacial no deserto do
Novo México, atingirá uma altitude de 50 mil pés e, lá em cima, sob o
impulso de um foguete, a espaçonave (SpaceShip II) se desprenderá da
nave mãe (VMS Eve) e chegará em 90 segundos na estratosfera (360 mil
pés), onde os seis astronautas-passageiros e mais dois pilotos poderão
brincar sob a gravidade zero viajando a três vezes a velocidade do
som.
Depois de vagar lá em cima por alguns minutos, a nave recolherá
suas asas verticalmente na preparação para entrar na atmosfera sem
qualquer atrito ou calor. Quando descer a 60 mil pés, suas asas
voltarão à posição original, de forma a pousar no Aeroporto Espacial.
Até agora, 300 passagens foram vendidas desde 2005, arrecadando mais
de US$ 60 milhões. A empresa não revela os nomes dos passageiros. A
passagem é considerada barata, "cem vezes menos cara do que a paga
pelo último turista espacial" na Rússia, argumenta a Virgin Galatic.
A empresa, do bilionário britânico Sir Richard Branson, é a
primeira linha aérea espacial do mundo. Surgiu a partir da bem
sucedida experiência da Virgin Atlantic na Europa e nos Estados Unidos
e do sonho do empreendedor norte-americano Burt Rutan, da Scaled
Composites, que com a sua SpaceShip I ganhou o prêmio de US$ 10
milhões da X Prize Foundation por fazer dois vôos orbitais privados
com naves reutilizáveis num espaço de 14 dias. A fundação, bancada por
bilionários como Paul Allen, sócio de Bill Gates que sofre de câncer,
também oferece prêmios na área de genoma humano, automóveis
alternativos e vôos lunares.
As viagens orbitais da Virgin pretendem mostrar a eficiência da
iniciativa privada no setor, hoje dominado pela estatal Nasa e pelos
governos da Rússia e China, ambos consumindo bilhões de dólares dos
contribuintes. "Estas viagens não serão o início da colonização de
Marte", diz o piloto de testes Peter Siebold, "mas os irmãos Wright
(pais da aviação aqui nos Estados Unidos) também não tinham o Boeing
747 Jumbo em seus planos quando voaram pela primeira vez seu avião" -
Tudo se originou daquele grande passo, disse ela à revista Wired. Um
dia, completa, viajar pelo espaço será tão natural quando andar de
roda gigante.
Se dá medo de viajar de avião, imagina dar uma volta no espaço.
"Segurança é a coração do design e será o centro da operação da Virgin
Galactic", diz a empresa. "A SpaceShip II terá múltiplos níveis de
redundância em todos os sistemas-chave de forma a atingir robustez em
cada fase do vôo", adianta. "A experiência da Virgin em aviação,
aventura, turismo de luxo e design moderno (...) farão do vôo uma
operação tranquila e uma experiência única de vida". Até agora, pelo
menos 82 mil pessoas já se registraram no website da empresa.
Tanto a nave mãe quanto a nave espacial são uma maravilha
tecnológica. A VMS Eve é a maior nave do mundo construída totalmente
de materiais compostos, com cabos de fibra de carbono que não se
expandem ou contraem em diferentes e extremas temperaturas. Suas
turbinas, "leves e potentes", são capazes de voar quase 20 mil pés
acima dos jatos comerciais. As cabines são maiores, mais confortáveis
e robustas (7,5 pés de diâmetro) com diversas janelas para os turistas
astronautas aproveitarem a vista e rolarem no ar na gravidade zero. O
custo de fabricação chegará a US$ 400 milhões.
Para viajar, os astronautas turistas terão que passar por diversos
obstáculos: cursos, checkup médico, sessões no simulador e na
centrifugadora, aprender a apertar ou soltar os cintos de segurança lá
em cima etc. A idéia, segundo a empresa, é certificar de que o
passageiro, além do dinheiro, tenha também condições físicas e mentais
de aguentar a experiência.
Lá em cima, sob o intenso silêncio, como diz a empresa, os
felizardos terráqueos terão a experiência que até agora poucos seres
humanos tiveram: ver a Terra de cima e se certificarem de que ela é
mesmo azul.
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