Vida Americana

Notas, impressões, informações, dicas, tendência e análises sobre os Estados Unidos a partir de Seattle, na Costa Oeste norte-americana.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ele não espera acontecer | Valor Online

A deliciosa biografia de Jerry Weintraub, um dos maiores executivos do show business americano, é uma aula de negócios na qual se aprende sorrindo.
Ele não espera acontecer
Pedro A.L. Costa | Para o Valor, de Seattle
17/06/2011


Um dos agentes mais influentes de Hollywood, Weintraub teve Elvis Presley, Frank Sinatra, Bob Dylan, Led Zepellin, Carpenters e Neil Diamond em sua carteira de clientes
Jerry Weintraub costuma dormir com papel e caneta no criado-mudo. No meio da noite, acorda e anota ideias, por mais loucas que sejam. Em 1969, acordou desejando ser empresário de Elvis Presley, naquele tempo uma espécie de deus cujo papa respondia pelo nome de Coronel Tom Sanders, seu agente. No dia seguinte, ligou para Coronel, falou do seu sonho e levou um sonoro não. No outro, continuou ligando, e assim o faria nos 364 dias seguintes. À véspera do Natal, ligou de novo para o Coronel.
- Você quer mesmo fazer um show com meu rapaz?

- Sim, Coronel, essa é a ideia.

- Venha amanhã no meu hotel em Las Vegas e traga US$ 1 milhão.

Weintraub, judeu do Bronx, Nova York, que, naquela época, vendia o almoço para comprar o jantar, quase desmaiou. Como iria arranjar US$ 1 milhão em menos de 24 horas? Começou a ligar para todo mundo, aproveitando o fuso horário com a Costa Oeste. Foi ridicularizado por muita gente - afinal, só a sua palavra de iniciante estava valendo -, mas, por sorte, chegou a um fã de Elvis que era dono uma rede de estações de rádio em Seattle, naquele tempo uma esquecida cidade no noroeste americano onde ainda se ganhava dinheiro com rádio. Acabou convencendo o empresário a lhe dar US$ 1 milhão sem mesmo tê-lo conhecido pessoalmente.

No dia seguinte, já em Las Vegas, recebeu o dinheiro numa agência bancária. Quando soube que o dinheiro era para Elvis, o gerente tentou entrar na empreitada, como contador, mas também levou um não. Weintraub levantou-se, pôs o cheque de US$ 1 milhão no bolso do colete, pegou um táxi para o hotel, entregou o dinheiro ao Coronel, que, ainda incrédulo, passou seu protegido, Elvis Aron Presley, às mãos de Weintraub.

Naquele momento, começaria uma das mais lucrativas histórias de negócios dos Estados Unidos: a volta do Imortal ao circuito de shows, depois de quase naufragar no ostracismo num mar de barbitúricos. Elvis ficou mais rico, o Coronel ficou mais rico e Weintraub viu a cor do seu primeiro milhão de dólares.

Embora truculento, grosseiro, cara de mafioso, mas impecavelmente bem-vestido, Weintraub é adorado entre os artistas

A notícia do renascimento de Elvis estourou nos Estados Unidos. Com o sucesso do Imortal, outro Imortal, Frank Sinatra ("por favor, me chame de Francis", disse ele) convocou Weintraub para ser seu agente. Foram programados dezenas de shows nos Estados Unidos, casa cheia o tempo todo, até um dia em que Sinatra falou que não mais faria shows, simplesmente porque não tinha paciência de cantar "My Way" ou "Flying to the Moon" todas as noites desde que se entendia por gente.

Weintraub quase caiu de costas quando soube que Sinatra o estava demitindo, mas ali mesmo, entre um Dry Martini e um charuto na mansão do cantor em Bel Air, Los Angeles, começou a improvisar e convencer Sinatra da sua "nova e grande ideia". "Mas qual ideia, Jerry?", indagou.

Sem saber o que fazer ou falar, Weintraub tomou um gole e inventou uma história de Sinatra cantar ao vivo, do alto de um ringue no Madison Square Garden, em Nova York, sem ensaios, para todas as TVs do mundo, naquele tempo uma missão (quase) impossível.

Sinatra, para surpresa de Weintraub, topou, e em oito dias ("os oito dias mais intensos da minha vida") estava cantando para milhões de espectadores de diversos países. Seu único pedido foi que cinco pizzas ficassem à sua disposição no jatinho que o levaria de volta à Costa Oeste.

Hoje, embora já na terceira idade, Weintraub é um dos mais glorificados agentes artísticos dos Estados Unidos. Além de Elvis e Sinatra, tinha Bob Dylan, Led Zepellin e John Denver (que ele mesmo descobriu e formou), Carpenters e Neil Diamond na sua carteira de clientes. Além de lançar sua biografia, "When I Stop Talking, You'll Know I'm Dead: Useful Stories from a Persuasive Man", um documentário da PBS (a TV pública americana) chamado "His Way", em contraposição ao sucesso de Sinatra "My Way", bateu recordes de audiência recentemente.

Embora truculento, grosseiro, cara de mafioso, mas impecavelmente bem-vestido, é adorado entre os artistas, especialmente Brad Pitt, George Clooney, Andy Garcia e Matt Damon, seus clientes ("Treze Homens e um Novo Segredo") que toparam dar depoimentos no documentário, filmado a maior parte em sua mansão em Beverly Hills, na Califórnia. Trata-se do primeiro produtor a ter suas mãos gravadas na Hollywood Walk of Fame.

Mas o mais peculiar da história é sua vida amorosa. Um dia, já rico, famoso e casado com a cantora Jane Morgan, 17 anos mais velha, Weintraub se envolveu com uma atriz e convidou-a para fazer sexo em sua mansão. Avisou seu motorista para que avisasse caso sua mulher chegasse. Sem saber como e por quê, sua mulher chegou sem avisar e encontrou Weintraub com outra na cama. Impávida, disse que teria de pagar a ela US$ 1 milhão caso quisesse evitar um dispendioso, problemático e por que não famoso divórcio. Weintraub não só topou o negócio como mais tarde se casaria com uma amiga, Susie Ekins, e manteria sob o mesmo teto duas mulheres, hoje amicíssimas.

Ele adora mulheres, a começar pela sua mãe judia, Rose. Ela adorava Weintraub, Gary Grant e cavalos, nessa ordem. O agente artístico não só a pôs em filmes como figurante quando se tornou um dos maiores produtores executivos dos Estados Unidos ("produzir é resolver problemas"), mas fez que Grant aparecesse à frente dela e a levasse ao Jóquei Clube. Promessa feita, promessa cumprida.

Weintraub nasceu embalado pela sorte: quando foi recusado num clube de golfe por ser judeu, em Kennebunkport, Maine, ficou extremamente chateado e contou o caso a um amigo. Uma hora depois, um tal de George W.H. Bush, naquela época um desconhecido empresário, mas depois presidente dos Estados Unidos, ligou pedindo desculpas. Tornaram-se grandes amigos para o resto da vida. "Quando ia a Washington DC", diz ele, "não ficava hospedado em hotéis: ficava na Casa Branca."

"When I Stop Talking, You'll Know I'm Dead: Useful Stories from a Persuasive Man"

Jerry Weintraub e Rich Cohen. Twelve, 304 págs., US$ 13,99

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sexo, mentiras e política

Pedro A. L. Costa | Para o Valor, de Seattle
27/05/2011
Texto:-A +A

AP
O caso de Strauss-Kahn, acusado de estupro, também entra na galeria de escândalos sexuais da história americana
O poder é o maior dos afrodisíacos, dizia o diplomata Henry Kissinger. Mas o que faz com que homens como Bill Clinton - e agora Arnold Schwarzenegger ou Dominique Strauss-Kahn - joguem para o ar carreiras, famílias e reputações em troca de minutos de prazer, geralmente nas alcovas do poder?

O dono da "Hustler", a mais pornográfica de todas as revistas pornográficas, Larry Flynt, responde que todos nós não passamos de seres humanos e, portanto, estamos sujeitos a uma tal de monoamina oxidase tipo A (irma), enzima que regula neurotransmissores como a dopamina. Quanto menor o nível de irma no corpo dos políticos, ou de qualquer outro poderoso, maior a disposição para correr riscos excitantes, que os libertem do cotidiano e da chatice das suas vidas pessoais.

Flynt, autor do recente best seller "One Nation Under Sex" (ou como a vida privada de presidentes, primeiras damas e seus amantes comanda a história dos Estados Unidos), paraplégico depois de levar um tiro de um supremacista, percorre os Estados Unidos como um paladino da defesa da Primeira Emenda à Constituição, que garante o direito de expressão a todos os cidadãos, seja lá qual for a mensagem ou o mensageiro.

Neste "road-show", Flynt aproveita para denunciar a "hipocrisia" que, a cada seis meses, segundo suas contas, invade os lares do país com um assunto que leva os americanos ao orgasmo coletivo: sexo na mídia, de preferência 24 horas por dia, sete dias por semana.

A novela de escândalos sexuais percorre toda a história do país, chegando agora a Schwarzenegger e Strauss-Kahn

A novela de escândalos sexuais percorre toda a bicentenária história do país. Tentativas de estupro, filhos bastardos, namoros fortuitos, lesbianismo, videoteipes, escutas, sexo selvagem (em todas as posições e condições) e, mais recentemente, ataques a camareiras e babás acontecem repetidamente, de Thomas Jefferson a Barack Obama, atingindo agora o ex-governador da Califórnia e o também agora ex-diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

Schwarzenegger, segundo Flynt, jamais será perdoado pelos americanos, como foi o ex-presidente Bill Clinton, "um homem que fez pelo sexo mais do que todos os outros presidentes reunidos". Já Strauss-Kahn teve o azar de dar vazão à sua volúpia em solo americano. Fosse na França, onde o ex-presidente François Miterrand tinha múltiplas amantes (uma até chorou junto à viúva no funeral), o caso da camareira teria passado despercebido, diz Flynt.

No livro, um catatau de 300 páginas que escreveu em coautoria com David Eisenbach, Flynt conta em detalhes a performance dos presidentes e de suas mulheres, cada um em seu canto, à sua hora e ao seu estilo, e argumenta que sexo é a mais avassaladora arma da política. Depois que a Guerra Fria acabou, dizem os autores, foi criado o inimigo número 1 da moral e dos bons costumes: o pulo do muro, a merenda antes do recreio, ou simplesmente o desejo (muitas vezes consumado) pela mulher (ou o homem) do próximo.

Divulgação
Woody Harrelson como Flynt, no filme de 1996

Essa fixação em sexo, segundo Flynt, é a melhor e mais eficiente forma de entreter o público e, mais que tudo, de desviar a atenção dos problemas que o país enfrenta. "Está na hora de deixarmos nosso moralismo político e focalizarmos os problemas reais que ameaçam nossa nação", adverte.

Nas aparições públicas, Flynt anda de cadeira de rodas de ouro maciço, pinta o cabelo, veste-se impecavelmente e fala com dificuldade. Teve um derrame decorrente dos efeitos colaterais dos remédios que toma para amainar dores. Deixa o coautor David Eisenbach, que é gay e já escreveu um livro sobre homossexualismo e poder, falar quase o tempo todo nas entrevistas coletivas sobre as orgias na Casa Branca e em outras sedes governamentais. Só não abre mão quando o assunto é Clinton, "meu favorito", segundo ele.

Na época da estagiária Monica Lewinsky, que quase culminou com o impeachment do presidente, Flynt ofereceu US$ 1 milhão para quem denunciasse qualquer congressista que também tivesse ciscado na horta alheia. Acabou sendo uma peça decisiva na salvação do presidente, quando começaram a pipocar casos no Capitólio. Clinton deixou a Casa Branca aplaudido, com 68% de aprovação, ao passo que os republicanos, inclusive Newt Gingrich, hoje pré-candidato a presidente, ainda lutam para se livrar do porão da história.

Flynt e Eisenbach revelam que foi Monica Lewinsky quem começou a seduzir o presidente. Levantou parte do seu terninho azul para se mostrar a sua excelência na chamada Ala Oeste da Casa Branca. Duas noites depois, já fazia sexo oral com Clinton no Salão Oval, mesmo quando o presidente falava com congressistas ao telefone e usava charutos como acessório sexual. O romance duraria um ano e meio e só teria sido presenciado pelo serviço secreto.

As depressões de Abraham Lincoln são associadas à sua infelicidade no casamento depois de dormir na mesma cama com um amigo

O turbilhão que se seguiu à descoberta do caso acuou Clinton, que já naquela época tentava acabar com um terrorista chamado Osama bin Laden, destruir um grupo radical (Al Qaeda) e aprovar um novo plano de saúde para os americanos. O escândalo em que o presidente se meteu tirou-lhe das mãos a oportunidade de mudar a história, como faria Barack Obama quase duas décadas depois.

Clinton não era uma máquina sexual como John F. Kennedy, que tinha enxaquecas noturnas caso lhe faltasse sexo com alguma mulher, não só a primeira dama. Mas, segundo relato de Jennifer Flowers e Paula Jones, outras vítimas da sua volúpia, era fenomenal na arte de satisfazer suas parceiras. "Foram apenas sete minutos, mas os sete minutos mais intensos de minha vida", relembra Jennifer.

O mundo se acostumou a ver primeiras damas resignadas com os orgias de seus maridos, como Hillary Clinton postando-se ao lado de Bill Clinton e acusando "a conspiração da direita" para destruí-lo com falsas acusações. Mas nem todo mundo foi como Hillary.

Jackie Kennedy, que perguntava elegantemente ao marido de quem era aquela lingerie que estava debaixo do travesseiro, "pois esta não é do meu tamanho", era filha de pais separados e, segundo Flynt, jamais suportaria a dor de ser humilhada em público pelas traições do marido, mesmo depois de infectada com chlamydia, que lhe provocou abortos. Por vingança, teve relações com outros parceiros mesmo depois de seu casamento com John, seja em estrebarias, com o ator William Holden, no iate Chiristina com o magnata grego Aristóteles Onassis, com o ex-presidente da Fiat Gianni Agnelli, em Ravelo, Itália, e com o seu cunhado Robert Kennedy - tórrido romance que só terminou quando ele morreu com dois tiros na cabeça, num hotel em Los Angeles. Diz Flynt que, caso o presidente Kennedy não tivesse sido assassinado em Dallas, a Casa Branca assistiria ao primeiro divórcio da história antes da eleição de 1964.

Divulgação
Flynt diz que a fixação dos americanos em sexo é a melhor e mais eficiente forma de entreter o público e, sobretudo, de desviar a atenção dos problemas do país

Outra ativa militante dos leitos ex-conjugais foi Eleanor Roosevelt, que, desiludida com as abertas traições do marido Franklin, enamorou-se da jornalista Lorena Hickok, do "The New York Times" e depois da Associated Press, a primeira jornalista a assinar uma manchete de primeira página. O amor foi tão forte que Eleanor convidou-a a morar na Casa Branca, num quartinho contíguo ao seu. O romance lésbico durou até a morte de Eleanor, em 1962, e mudou radicalmente a vida da primeira dama, que, a partir de então, tornou-se militante dos direitos sociais. Por influência da amante, promoveu 348 entrevistas coletivas durante os 12 anos da Presidência do marido, escreveu 8 mil artigos na coluna "My Day" e é considerada uma das pessoas mais admiradas do século XX. A adversidade conjugal e o amor gay, por si só revolucionário para a época, transformaram-na numa heroína.

A preferência pelo mesmo sexo perseguiu o 16º presidente americano, Abraham Lincoln, o homem que acabou com a escravidão e reunificou o país depois da Guerra da Secessão. Suas intensas depressões são associadas à infelicidade do casamento tardio com Mary Todd, depois de morar e dormir na mesma cama com o amigo Joshua Speed em Springfield, Illinois. Flynt lembra que outro grande amor da vida de Lincoln foi o capitão David Derickson, do 150º regimento, a uma milha da Casa Branca. Lincoln adorava matar o tempo com os soldados e acabou convidando o capitão para acompanhá-lo como guarda-costas, cocheiro e, na ausência da primeira dama, cobertor.

AP
Monica Lewinsky demonstra seu entusiasmo por Clinton em festa nos jardins da Casa Branca: o caso, que durou ano e meio, só teria sido presenciado pelo serviço secreto

Mas foi a partir da década de 1970, com mídia perdendo o pudor e revelando casos que anteriormente eram reservados aos mexericos, que a coisa pegou fogo. Depois de Clinton, o governador de Nova Jersey, Jim McGreevey, revelou que era gay e renunciou ao cargo em 2004. Dois anos depois, o republicano Mark Foley, combatente defensor das crianças, foi pego mandando textos sobre masturbação para estagiários adolescentes do seu gabinete. Em 2007, o senador Larry Craig, de Idaho, foi preso depois de tentar fazer sexo num banheiro público do aeroporto. Em 2008, o governador Elliot Spitzer abandonou o governo de Nova York depois de ter relações sexuais com uma prostituta em Nova York sob o pseudônimo de "Cliente Número 9" (aliás, a cafetina era brasileira). Em 2009, o governador da Carolina do Sul, Mark Sanford, desapareceu por uns dias e revelou que estava nos braços de uma amante, na Argentina. E há o caso do candidato democrata à Presidência, John Edwards, que engravidou uma cinegrafista durante a campanha eleitoral, enquanto sua mulher estava com câncer.

Para Larry Flynt, o que acontece na vida privada dos políticos não diz respeito a ninguém, desde que o sexo seja consensual. Só falta, segundo ele, os americanos perceberem que são cidadãos de uma nação como todas as outras, onde o sexo existe, é prazeroso e, enquanto existir, também existiremos. A outra opção é ser como Jimmy Carter, o 39º presidente americano, considerado por Flynt o único santo que ocupou a Casa Branca. Carter uma vez declarou que traiu sua mulher, mas só em pensamento.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

the future of communication

IN an uncharted world of boundless data, information designers are our new navigators.


In a Stamen graphic of Twitter traffic during an MTV awards show, the number of tweets about celebrities was reflected in the size of their photos.
They are computer scientists, statisticians, graphic designers, producers and cartographers who map entire oceans of data and turn them into innovative visual displays, like rich graphs and charts, that help both companies and consumers cut through the clutter. These gurus of visual analytics are making interactive data synonymous with attractive data.

“Statistics,” says Dr. Hans Rosling, a professor of international health at the Karolinska Institute in Sweden, “is now the sexiest subject around.”

Dr. Rosling is a founder of Gapminder, a nonprofit group based in Stockholm that works to educate the public about disparities in health and wealth around the world — by offering animated interactive statistics online that help visitors spot trends on their own.

Hit the play button and an animated graphic, called Gapminder World, shows a constellation of brightly colored bubbles, each representing a different country, bouncing along over two centuries. Without ever having to view yawn-inducing numbers on gross domestic product per capita, you can watch some countries, like the United States, rapidly growing healthier and wealthier before your eyes while smaller bubbles, for countries like Congo, rise on the life expectancy axis even as they dip on the income line.

The advanced animation has let Dr. Rosling make wonky statistics about poverty as intuitive and potentially fascinating for viewers as a nature program about the Serengeti on TV. “If we show a herd of zebras, and one zebra has a bad leg and lags behind, you can see that immediately,” says Dr. Rosling, whose video clip from the BBC on health and wealth statistics has been viewed more than four million times on YouTube. “If one country gets left behind, you can see that, too.”

Visual analytics play off the idea that the brain is more attracted to and able to process dynamic images than long lists of numbers. But the goal of information visualization is not simply to represent millions of bits of data as illustrations. It is to prompt visceral comprehension, moments of insight that make viewers want to learn more.

“The purpose of visualization,” says Ben Shneiderman, founding director of the Human-Computer Interaction Laboratory at the University of Maryland, “is insight, not pictures.”

The growing field has implications for companies, governments, academic institutions, nonprofit groups, news organizations and marketers — just about anybody who tries to convey huge amounts of information in visual, interactive forms. But advances, he says, come with both benefits and risks.

On the benefit side, people become more engaged when they can filter information that is presented visually and make discoveries on their own.

On the risk side, Professor Shneiderman says, tools as powerful as visualizations have the potential to mislead or confuse consumers. And privacy implications arise, he says, as increasing amounts of personal, housing, medical and financial data become widely accessible, searchable and viewable.

“The visual analytics research community works on these issues,” he says, “but more needs to be done.”

In the 1990s, Professor Shneiderman developed tree mapping, which uses interlocking rectangles to represent complicated data sets. The rectangles are sized and colored to convey different kinds of information, like revenue or geographic region, says Jim Bartoo, the chief executive of the Hive Group, a software company that uses tree mapping to help companies and government agencies monitor operational data. When executives or plant managers see the nested rectangles grouped together, he adds, they should be able to immediately spot anomalies or trends.

In one tree-map visualization of a sales department on the Hive Group site, red tiles represent underperforming sales representatives while green tiles represent people who exceeded their sales quotas. So it’s easy to identify the best sales rep in the company: the biggest green tile. But viewers can also reorganize the display — by region, say, or by sales manager — to see whether patterns exist that explain why some employees are falling behind.

“It’s the ability of the human brain to pick out size and color” that makes tree mapping so intuitive, Mr. Bartoo says. Information visualization, he adds, “suddenly starts answering questions that you didn’t know you had.”

For entertainment value, the Hive Group has also posted a tree map of the 100 most popular songs on iTunes, updated every 24 hours.

The fact that serious software companies are now tree mapping the pop charts is a sign that data visualization is no longer just a useful tool for researchers and corporations. It’s also an entertainment and marketing vehicle.

In 2009, for example, Stamen Design, a technology and design studio in San Francisco, created a live visualization of Twitter traffic during the MTV Video Music awards. In the animated graphic, floating bubbles, each displaying a photograph of a celebrity, expanded or contracted depending on the volume of Twitter activity about each star. The project provided a visceral way for viewers to understand which celebrities dominated Twitter talk in real time, says Eric Rodenbeck, the founder and creative director of Stamen Design.

Information visualization has changed substantially in the 10 years since the studio has been in business, Mr. Rodenbeck says. Designers once created visual representations of data that would steer viewers to information that seemed the most important or newsworthy, he says; now they create visualizations that contain attractive overview images and then let users direct their own interactive experience — wherever it may take them.

“It’s not about leading with a certain view anymore,” he says. “It’s about delivering the view that gets the most participation and engagement.”



TO that end, the company has just designed a site for a client, mondowindow.com, that shows airline passengers a detailed satellite map of the landscape they are flying over — and lets them direct the view.

For passengers with Wi-Fi access who enter their airline and flight number on the site, mondowindow.com displays more than just the terrain below. It also offers information bubbles highlighting different place names, local landmarks and tourist attractions like schools and botanical gardens, and photos of native fauna, like a blue jay.

On the ground, we may live in a world of T.M.I. — too much information. But Stamen Design is betting that we will relish rich images of ground data when we are flying several miles high.  

NYT

the future of communication

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

Facebook

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Se mandando para o espaço, literalmente

Seattle - A Virgin Galactic já está batendo recordes de vendas de
passagens para viagens de turismo espacial a partir de 2012. Cada
passagem está custando US$ 200 mil, mas para garantir o lugar basta
pagar US$ 20 mil. O vôo sub-orbital, que no início será realizado
apenas uma vez por semana, sairá do Aeroporto Espacial no deserto do
Novo México, atingirá uma altitude de 50 mil pés e, lá em cima, sob o
impulso de um foguete, a espaçonave (SpaceShip II) se desprenderá da
nave mãe (VMS Eve) e chegará em 90 segundos na estratosfera (360 mil
pés), onde os seis astronautas-passageiros e mais dois pilotos poderão
brincar sob a gravidade zero viajando a três vezes a velocidade do
som.
Depois de vagar lá em cima por alguns minutos, a nave recolherá
suas asas verticalmente na preparação para entrar na atmosfera sem
qualquer atrito ou calor. Quando descer a 60 mil pés, suas asas
voltarão à posição original, de forma a pousar no Aeroporto Espacial.
Até agora, 300 passagens foram vendidas desde 2005, arrecadando mais
de US$ 60 milhões. A empresa não revela os nomes dos passageiros. A
passagem é considerada barata, "cem vezes menos cara do que a paga
pelo último turista espacial" na Rússia, argumenta a Virgin Galatic.
A empresa, do bilionário britânico Sir Richard Branson, é a
primeira linha aérea espacial do mundo. Surgiu a partir da bem
sucedida experiência da Virgin Atlantic na Europa e nos Estados Unidos
e do sonho do empreendedor norte-americano Burt Rutan, da Scaled
Composites, que com a sua SpaceShip I ganhou o prêmio de US$ 10
milhões da X Prize Foundation por fazer dois vôos orbitais privados
com naves reutilizáveis num espaço de 14 dias. A fundação, bancada por
bilionários como Paul Allen, sócio de Bill Gates que sofre de câncer,
também oferece prêmios na área de genoma humano, automóveis
alternativos e vôos lunares.
As viagens orbitais da Virgin pretendem mostrar a eficiência da
iniciativa privada no setor, hoje dominado pela estatal Nasa e pelos
governos da Rússia e China, ambos consumindo bilhões de dólares dos
contribuintes. "Estas viagens não serão o início da colonização de
Marte", diz o piloto de testes Peter Siebold, "mas os irmãos Wright
(pais da aviação aqui nos Estados Unidos) também não tinham o Boeing
747 Jumbo em seus planos quando voaram pela primeira vez seu avião" -
Tudo se originou daquele grande passo, disse ela à revista Wired. Um
dia, completa, viajar pelo espaço será tão natural quando andar de
roda gigante.
Se dá medo de viajar de avião, imagina dar uma volta no espaço.
"Segurança é a coração do design e será o centro da operação da Virgin
Galactic", diz a empresa. "A SpaceShip II terá múltiplos níveis de
redundância em todos os sistemas-chave de forma a atingir robustez em
cada fase do vôo", adianta. "A experiência da Virgin em aviação,
aventura, turismo de luxo e design moderno (...) farão do vôo uma
operação tranquila e uma experiência única de vida". Até agora, pelo
menos 82 mil pessoas já se registraram no website da empresa.
Tanto a nave mãe quanto a nave espacial são uma maravilha
tecnológica. A VMS Eve é a maior nave do mundo construída totalmente
de materiais compostos, com cabos de fibra de carbono que não se
expandem ou contraem em diferentes e extremas temperaturas. Suas
turbinas, "leves e potentes", são capazes de voar quase 20 mil pés
acima dos jatos comerciais. As cabines são maiores, mais confortáveis
e robustas (7,5 pés de diâmetro) com diversas janelas para os turistas
astronautas aproveitarem a vista e rolarem no ar na gravidade zero. O
custo de fabricação chegará a US$ 400 milhões.
Para viajar, os astronautas turistas terão que passar por diversos
obstáculos: cursos, checkup médico, sessões no simulador e na
centrifugadora, aprender a apertar ou soltar os cintos de segurança lá
em cima etc. A idéia, segundo a empresa, é certificar de que o
passageiro, além do dinheiro, tenha também condições físicas e mentais
de aguentar a experiência.
Lá em cima, sob o intenso silêncio, como diz a empresa, os
felizardos terráqueos terão a experiência que até agora poucos seres
humanos tiveram: ver a Terra de cima e se certificarem de que ela é
mesmo azul.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pensando Midias Sociais

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Help....minha memória está falhando

No livro do polêmico apresentador da Fox Glenn Beck, Common Sense, ele pergunta o porquê de os Estados Unidos, sendo um país excepcional, estar indo ladeira baixo. Para ilustrar, ele cita algumas das mais importantes invenções norte-americanas. Avião, automóvel, lâmpada, telefone, cinema, linha de montagem, coração artificial, computador, lentes bifocais, máquina de costura, refrigerador, ar condicionado, alfinete de bebê, televisão, caixa registradora, crayon, ferramentas elétricas, perfurador de poços de petróleo, papel toalha, picolé, jeans, elevador, rifle de repetição, laser, vacina pólio, forno de microondas, copiadora, fibra óptica e, finalmente, algodão doce. E o Brasil? Alguém de lembra de alguma coisa inventada aí?

sábado, 19 de setembro de 2009

A morte do intermediário, do vendedor, do atravessador,

Seattle - Aos poucos, lentamente, quase imperceptivelmente, está morrendo uma legião de profissões centenárias com as quais a gente se acostumou a conviver: jornalistas, professores, agentes, lambe lambe, amoladores de facas, sapateiros e costureiros sob medida. Com a revolução da internet descobrimos que, em primeiro lugar, não precisamos deles. Podemos acessar notícias, por exemplo, direto das fontes. Os professores, por outro lado, descobriram que seus alunos não se interessam pelo conteúdo das aulas porque podem interagir com conteúdos fantásticos na internet, e sem a ajuda do professor. Estou lendo um dos melhores livros que já saíram sobre o fenômeno da internet, o Trust Agents, escrito por dois blogueiros, Julian e Chris, com os quais tive oportunidade de tomar uma cerveja (belga) aqui em Seattle. Muito bem escrito, o livro descreve como a rede está mudando a nossa forma de nos relacionarmos com o mundo e, principalmente, como vamos ganhar dinheiro daqui para frente - se é que dinheiro também não vai deixar de existir.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Menos jornalismo, mais conversa



*Daniel Agrela e Mariane Pinho

Embora muita gente não aceite, o jornalismo – tal qual conhecemos – está morrendo. De fato, para quem sempre viveu a adrenalina de um fechamento de jornal fica difícil acreditar que a figura romântica do repórter, o nobre intermediário da notícia, esteja próxima do fim. Com a popularização da Internet, todo mundo está convidado a ser jornalista. As pessoas não precisam mais de alguém para selecionar suas notícias.


Negar essa realidade é sempre a primeira reação. É natural. Mas não há como refutar que o crescimento do meio online e a importância exercida atualmente pelas redes sociais trouxeram mais agilidade às informações e, é claro, atingiram em cheio as empresas de mídia, especialmente jornais e revistas. Nem mesmo os cortes de pessoal, intensificados ao longo da última década para amenizar essa inevitável crise, possibilitaram a recuperação dos veículos impressos, que perdem leitores a cada dia.

Para fugir dessa tendência e abocanhar novos assinantes, os maiores impressos de São Paulo prepararam recentemente uma série de propagandas no horário nobre da TV. A Folha convocou os principais jornalistas da casa para participar de sua propaganda. Já o Estadão faz a seguinte pergunta: “quanto vale o seu conhecimento?”, dando ao leitor a opção de pagar o quanto quiser pela assinatura no primeiro mês. Ambos os periódicos tentam valorizar seus produtos, oferecendo conteúdo exclusivo, analítico e mais aprofundado.

Na verdade, os jornais sempre sofreram com a falta de instantaneidade das informações, prerrogativa do rádio, da TV e, mais recentemente, da internet – que vem tomando o espaço não só da mídia impressa, mas de todos os meios de comunicação tradicionais.
Enquanto os jornais investem em matérias analíticas, as revistas nas investigativas e a televisão no poder da imagem, a internet faz de tudo: podcast, vídeo e texto informativo e reflexivo. Ela cresce 21% ao ano, enquanto a taxa de crescimento dos outros meios se estabiliza ou cai. Cada vez mais, a Web se consolida como o centro do conhecimento descentralizado, um espaço da conversa multidirecional em que todos falam de tudo.

Talvez por isso a figura do jornalista como intermediário entre a informação e o público esteja em declínio. A força exercida pelas redes sociais como blogs, Orkut, LinkedIn, Facebook e Twitter já pôde ser percebida em diversos acontecimentos, como os relatos enviados por cidadãos iranianos no auge dos últimos conflitos, em um país com sérias restrições à cobertura jornalística tradicional. Isso prova que para uma notícia vir à tona não é preciso que haja um jornalista in loco para relatar os fatos. Eles podem vir diretamente da fonte, por meio de um blog, por exemplo.

O fato é que o jornalismo passa por um momento de transição, em que os veículos tentam se adequar à nova realidade digital. A internet caminha para abranger todas as áreas das nossas vidas e isso inclui a forma com que informamos e somos informados. É por isso que o futuro do jornalismo está na conversa. A notícia não estará mais nas mãos apenas dos jornalistas: ela está nas redes sociais, onde todos podem informar e debater. Quem estiver fora dessa discussão, também vai morrer. Precisamos nos adaptar.

* Daniel Agrela e Mariane Pinho são jornalistas e atuam como PR Digital na Cia da Informação.

domingo, 17 de maio de 2009

O Poderoso Chefão


Salt Lake City - Como os mais bem guardados segredos da Máfia, pouca gente sabe que o diretor do melhor filme de todos os tempos, O Poderoso Chefão (ganhador do Oscar de 1974), Francis Ford Coppola, 70 anos, é também um poderoso chefão na vida real, estendendo seus tentáculos na produção de vinhos, resorts em lugares paradisíacos, restaurantes temáticos, macarrões, molhos, cafés, revistas literárias e, porque não, filmes, documentários, séries e qualquer coisa que caiba numa tela.
Coppola não é Don Corleone, que simplesmente matava concorrentes que ameaçavam seu negócio, mas do velho mafioso, interpretado magistralmente por Marlon Brando, herdou o nepotismo. Sua família ("a única coisa importante que existe") está envolvida em tudo: Eleonor, sua esposa desde os anos 60, cuida dos vinhedos. O filho Roman, que também é diretor e ator, o assessora em filmagens. Sofia, que ganhou um Oscar com "Lost in Translation", lançou um vinho espumante. E por aí vai.
Em todos os negócios do chefão Coppola está o charme de sua marca registrada, a Itália. "Defino minha vida pelas impressões de criança nascida numa família ítalo-americana cujo pai era um tocador de flauta na orquestra da NBC", a tv americana, diz ele. "Desde pequeno sou rodeado por tios, tias, primos e primas ao redor de uma grande mesa comendo pasta e bebendo vinho", completa.
O homem já faliu muitas vezes (afinal, qual o cineasta que jamais faliu?), mas aos 70 anos (que ele considera 50 mais 20) parece estar no auge na sua carreira empresarial. Em uma entrevista recente à revista Sky, ele revelou que não separa vinho (ou macarrão) dos filmes que faz. " Tudo faz parte do mesmo processo, tudo vem ao mesmo tempo e do mesmo jeito", diz. De onde ele tira tamanha energia?: "Se a sua mente não se tornar pequena, você permanece novo para sempre, pois você é tão jovem quanto sente que você é".
Coppola acaba de filmar Tetro, filme sobre uma família italiana que vive em Buenos Aires, fruto de um roteiro que escreveu quando tinha 17 anos. Já que elegeu a capital argentina como seu lar, também comprou um restaurante italiano por lá. Atualmente mora em San Francisco, na Califórnia, onde tem um restaurante em sociedade com Robert de Niro e Robin Willians, mas seu lugar favorito é sua vila em Napa Valley, Jardim Escondido, também na Califórnia, onde produz vinhos especiais. O criador do Poderoso Chefão, que também foi o responsável por filmes como Apocalypse Now, Conversação, American Grafitti e até um segmento do Histórias de Nova York, parece carregar o DNA do sucesso. Talia Shire, sua irmã, conhecida em Rocky, o Lutador, ficou também famosa por participar de vários filmes dele. Nicolas Cage, que na verdade é Nicolas Coppola, ganhou um Oscar, enquanto a filha Sofia parece seguir os passos do pai como diretora de filmes excepcionais.
Na base de todo o império Coppola, no entanto, está o estúdio que ele fundou em 1969 com George Lucas, o Zoetrope, que além de abrigar os filmes da dupla ainda foi a casa de Jean-Luc Godard, Akira Kurosawa e Wim Wenders. Pouca gente sabe também que este estúdio tornou-se um das mais importantes do mundo, tendo quatro dos 100 melhores filmes produzidos até hoje no país.

domingo, 3 de maio de 2009

Lugar de professor ruim é na rua


Seattle - Tias e mestras, boas ou más, preparadas ou não, professoras e professores sempre foram colocadas num pedestal, como se fossem ícones acima do bem ou do mal. O novo secretário da Educação nomeado por Barack Obama, Arne Duncan, um ex-jogador de basquete de Harvard, 44 anos e dois filhos, descobriu que uma professora ruim (ou professor ruim) tem a capacidade de destruir o futuro de centenas, muitas vezes milhares de alunos. O contrário, como todos sabem, é mais do que verdadeiro.

Como CEO do Chicago Board School desde 2001, o terceiro maior distrito escolar dos Estados Unidos, um país que atrás de lugares como o Kasaquistão no ranking educacional, não só demitiu professores que não correspondiam aos critérios de eficiência. Mandou embora até encarregados da limpeza e da merenda, e nos casos mais graves simplesmente fechou a escola e a abriu tempos depois, passando a borracha no passado e iniciando uma nova vida para os estudantes, especialmente pobres, negros, latinos e gays. Chamou sua ação de Projeto Renascença.

Expelindo gente ruim e ponto para dentro gente boa, treinada e motivada, Arne aumentou o número de estudantes que se apresentavam para estudar em Chicago de 76% para 89%. Em sete anos, cerca de 67% dos estudantes atingiriam os padrões nacionais, contra 38% anteriores à sua administração. O melhor é que os professores, temendo ser demitidos, começaram a se apresentar para obter melhores e mais rigorosas certificações. 1.200 professores, contra 11 no início.

Agora, em nível nacional, Arne tem a astronômica soma de US$ 100 bilhões para levar os parâmetros da iniciativa privada para os outros 50 estados da federação. Em um documentário na PBS, a tv pública norte-americana, Arne lembrou a importância do diálogo, da conversa com os sindicatos, da discussão aberta e de todo o blá-blá-blá de sempre, mas ele, um dos mais queridos secretários de Obama, é mesmo da teoria do escreveu-não-leu-o-pau-comeu.

Para ele, mais do que boas escolas, excelentes materiais instrutivos, lap tops, edifícios modernos ou programas comunitários, o que realmente faz a diferença na eduçação é o professor. Ele (ou ela) é o epicentro do sistema educacional, a pedra fundamental que, se polida, pode mudar a realidade de milhões de futuros adultos.

Uma das ações mais controversas do ex-jogador de basquete foi fazer com que os estudantes que desistissem de ir à escola assinassem um documento reconhecendo que eles "teriam menos chances de arranjar bons empregos, ou simplesmente empregos", e que estariam muito mais propensos "a viver da previdência social para o resto da vida". Em outras palavras, assinando a certidão de "perdedores", que nos Estados Unidos é pior do que xingar a mãe. Os que ficaram começaram a ganhar, desde o ano passado, até US$ 4 mil por ano caso consigam a nota "A", com dinheiro fornecido pela iniciativa privada.

A política linha dura com o sistema educacional de Barack Obama já está fazendo o poderoso National Education Association (NEA), o sindicato de professores que tem 3,2 milhões de afiliados e doou US$ 50 milhões para a sua campanha presidencial, começar a chiar. Mas quem leu A Audácia da Esperança, o livro que fez o presidente ficar rico (US$ 2 milhões só no ano passado), já podia pressentir que viria chumbo grosso por aí.

"Não há razão para um professor qualificado e experiente não ganhar UNS$ 100 mil por ano (cerca R$ 19 mil por mês) , escreveu ele. "Em troca desde dinheiro, professores deveria se tornar mais responsáveis por sua performance - ao mesmo tempo em que os distritos escolares deveriam ter mais habilidade para ficarem livres do chamados professores ineficientes".

Leia um trecho de "Vida de Escritor", de Gay Talese

Não sou, nem nunca fui, um apreciador de futebol. É provável que isso se deva, em parte, à minha idade e ao fato de que, na adolescência, quando eu morava no litoral sul de Nova Jersey — há meio século — esse esporte fosse praticamente desconhecido dos americanos, a não ser os nascidos no exterior. E embora meu pai fosse nascido no exterior — era um sisudo alfaiate que se vestia com esmero, oriundo de uma aldeia calabresa, no sul da Itália, que se tornou cidadão norte-americano em meados da década de 1920 —, quando conversava comigo sobre futebol, ele se limitava a discorrer sobre as brigas de sua juventude relacionadas ao esporte, e sobre a frustração que sentia ao ver os colegas de escola jogando numa praça italiana enquanto ele costurava à janela dos fundos de um ateliê próximo, onde trabalhava como aprendiz. No entanto, como muitas vezes me repetia, já naquela época ele sabia que aqueles jovens atletas (entre os quais havia irmãos e primos seus, menos conscienciosos) estavam perdendo tempo e pondo em perigo seu futuro, chutando bola de um lado para outro quando deveriam estar aprendendo um ofício digno e se preparando para pagar o alto preço de uma passagem para os Estados Unidos, onde poderiam alcançar a prosperidade como imigrantes. Mas não, continuava ele, incansavelmente dedicado a me advertir: eles dissipavam suas tardes jogando futebol na praça, da mesma forma como mais tarde viriam a jogar atrás da cerca de arame farpado do campo de prisioneiros de guerra no norte da África em que foram metidos pelos aliados (aqueles que não foram mortos ou ficaram aleijados em combate) quando se renderam, em 1942, na qualidade de soldados de infantaria do exército derrotado de Mussolini. Vez por outra, eles enviavam cartas a meu pai, contando sobre o confinamento. Um dia, já perto do fim da Segunda Guerra Mundial, ele pôs de lado a correspondência e me disse, num tom de voz que prefiro interpretar como mais triste do que sarcástico: “Eles ainda estão jogando futebol!”.

A final da Copa do Mundo feminina entre as equipes da China e dos Estados Unidos, disputada em 10 de julho de 1999, no Rose Bowl de Pasadena, na Califórnia, diante de 90.185 espectadores (o maior público de qualquer evento esportivo feminino na história) seria televisionada para quase 100 milhões de pessoas em todo o mundo. A transmissão ao vivo, que começaria nessa tarde de sábado às 12:30 na Califórnia, seria vista em Nova York às 3:30 da tarde e, na China, às 4:30 da manhã de domingo. Eu não tinha pensado em assistir ao jogo. Para aquele sábado, em Nova York, eu havia combinado uma partida de tênis em duplas, no Central Park, com velhos companheiros que, como eu, tinham vagas lembranças de jogar muito bem no passado.

Antes de sair para o Central Park, resolvi ligar a TV no jogo de beisebol entre os New York Mets e meus queridos Yankees, que começava à 1:15. Contra o conselho mil vezes repetido, embora às vezes sem muita convicção, de meu ranzinza e agora falecido pai, os Yankees conquistaram meu coração e me escravizaram para todo o sempre em fevereiro de 1944. Naquele ano, por causa do racionamento de gasolina provocado pela guerra e de seu efeito restritivo sobre os deslocamentos, a equipe transferiu seu tradicional campo de treinos de primavera de Saint Petersburg, na Flórida, para um estádio menos quente, porém mais à mão, ainda que com arquibancadas meio bambas e com corrimãos enferrujados, nas proximidades do aeroporto de Atlantic City, e suficientemente perto de minha escola para que ficássemos ali cabulando aulas. A partir de então, na guerra e na paz, durante um período que cobriu a carreira de Joe DiMaggio e Mickey Mantle e chegou até o estrelato, no fim do século, de recém-chegados como o shortstop Derek Jeter e o lançador substituto Mariano Rivera, venho me alegrando com os triunfos dos New York Yankees e sofrido com seus reveses. E, nesse sábado de julho de 1999, eu estava contando com eles para descansar de várias semanas de extenuante batuque em minha máquina de escrever.

Decidi que precisava relaxar, deixar de lado meu livro por algum tempo. E prontamente aceitei a sugestão de minha mulher, feita dias antes, de que passássemos esse fim de semana tranquilamente em Nova York. Nossas duas filhas e seus namorados iriam de carro para a Jersey Shore,* para a casa de veraneio que tínhamos comprado perto da de meus pais, trinta anos antes, depois do nascimento de nossa segunda filha. Na noite de sábado, minha mãe, vigorosa viúva de 92 anos, tencionava levar as netas e seus namorados para jantar no cassino Taj Mahal, no calçadão de Atlantic City, onde ela gostava de saborear sua sobremesa e seu café, enquanto alimentava as máquinas caça-níqueis.

No mês anterior, minha adorável mulher e eu havíamos comemorado nosso quadragésimo aniversário de casamento, e espero não ser tachado de pouco romântico se disser que esse longo relacionamento deu certo, em parte, por termos normalmente vivido e trabalhado separados — eu como escritor-pesquisador de não-ficção, frequentemente viajando por força do ofício, e ela como preparadora de textos e editora que, ao longo de todos esses anos, fez questão de não trabalhar para empresas com as quais eu estivesse ligado por contrato. Mas quando estamos juntos sob o mesmo teto — desfrutando o que tomarei a liberdade de chamar uma harmoniosa e feliz convivência que começou em meados da década de 1950 num apartamento sem água quente em Greenwich Village, transferiu-se depois para Uptown e, finalmente com as crianças, para uma casa brownstone que até hoje é ocupada por nós (duas ágeis e ativas pessoas da terceira idade determinadas a não morrer num cruzeiro) —, devo admitir que frequentemente me aproveito da presença de minha mulher como profissional das letras, solicitando sua opinião não só sobre o que estou pensando em escrever, como também sobre o que já escrevi. E embora suas respostas, vez por outra, difiram das expressadas mais tarde pelo editor “oficial”, considero mais uma bênção que um problema ter vários pontos de vista entre os quais escolher, e julgo essa situação mil vezes preferível à falta de ajuda na revisão textual de que tanto se queixam muitos de meus amigos escritores. Mas a escritores que deploram o fato de passarem a vida abandonados e solitários, quero dizer o seguinte: quando nosso trabalho não está indo bem, ter uma mulher editora pode ser até mais humilhante, principalmente durante os fins de semana e noites que passamos em casa, quando ela lê avidamente as palavras de outras pessoas, recostada em nosso leito conjugal, sob amarrotadas páginas de originais que cobrem nosso edredom de grife ou se escondem entre os lençóis, páginas que no devido tempo ela há de juntar e empilhar ordenadamente em seu criado-mudo antes de apagar a luz e, quem sabe, sonhar com o dia em que essas páginas serão transformadas num livro muito bem encadernado e elogiado pela crítica.

Seja como for, nesse fim de semana que decidimos (ela decidiu) passar em Nova York, enquanto ela estava lá em cima editando os capítulos de um original com o qual tínhamos dormido na noite de sexta-feira, eu estava embaixo, assistindo ao jogo Yankees-Mets. (Os Yankees fizeram logo 2-0 com o home run de Paul O’Neill na primeira entrada, depois do single de Bernie Williams.) Entre uma entrada e outra, eu antevia minha partida de tênis e lembrava a mim mesmo que devia lançar a bola mais alto quando tivesse o serviço e aproveitar todas as oportunidades de subir à rede.

Fui apresentado ao tênis por meu professor de educação física durante o primeiro ano do curso secundário, e muito embora nossa escola não tivesse, naquela época, uma equipe de tênis, eu treinava sempre que podia durante o recreio do meio-dia, pois jogava melhor que os desajeitados colegas que escolhia para adversários, os quais eram também meus subordinados na redação do jornal estudantil. O fato de nunca ter me destacado em algum esporte importante (futebol americano, basquetebol, beisebol ou atletismo) não me aborrecia, já que as equipes de nossa escola eram medíocres nesses esportes. Ademais, como cronista e potencial crítico dos jogadores (além de trabalhar no jornal estudantil, eu escrevia sobre esportes e também sobre atividades escolares em minha ocupação extracurricular como correspondente sobre educação para o semanário de minha cidade natal e para o diário de Atlantic City), eu de repente experimentava a dúbia notoriedade de ser um jornalista, de ter minha imatura personalidade e identidade impulsionadas, senão valorizadas, por meus artigos assinados ou por minha foto, do tamanho de um selo postal, que aparecia sobre a minha coluna no semanário da cidade, para não falar dos muitos privilégios que estavam à minha disposição, como viajar para jogos em outras cidades no ônibus da equipe, numa poltrona reservada atrás do técnico, ou voltar depois, de carona, num cupê Buick com painel cromado, dirigido pela bela esposa do diretor de esportes.

Por piores que fossem os jogadores, pois constantemente tratavam mal a bola, chutando quase sempre para fora e desperdiçando a maioria das faltas, eu nunca os humilhava em letra de fôrma. Invariavelmente, encontrava meios de descrever com gentileza cada derrota da equipe, cada deficiência individual. Meu texto parecia ter uma queda precoce para artifícios de retórica e circunlóquios, muito antes que eu soubesse escrever direito essas palavras. Minha atitude em relação ao jornalismo foi fortemente influenciada, durante todos os meus anos de secundário, por um rebuscado romancista chamado Frank Yerby, um negro nascido na Geórgia que mais tarde se radicou na Espanha e que escrevia prolificamente sobre mulheres de anquinhas e cobertas de jóias, com tantos excessos eróticos que, não fosse o floreado estilo de sua prosa — a qual de certa forma encobria o que para mim era assustadoramente obsceno —, seus livros teriam sido censurados em todos os estados americanos, e eu não teria tido a oportunidade de solicitá-los um por um, encabulado, à proprietária da locadora de livros de nossa cidade. Além disso, não teria tentado imitar, em minhas tentativas de encobrir as falhas dos atletas da escola, a facilidade de Yerby para usar eufemismos.

Embora meus textos evasivos e cheios de rodeios pudessem ser em parte atribuídos ao desejo de manter relações amistosas com os atletas e incentivá-los a conceder constantes entrevistas, creio que essas questões práticas tinham muito menos a ver com meu estilo do que minha própria identificação juvenil com a derrota e com o fato de que, com exceção da habilidade para escrever textos que douravam a dura crueza da realidade, eu não era capaz de fazer nada fora do comum. As notas que os professores me davam, tanto no curso primário quanto no secundário, sempre me colocavam na metade pior da classe. Ao lado de química e matemática, inglês era a disciplina em que eu me saía pior. Em 1949, fui rejeitado pelas duas dúzias de faculdades a que me candidatei, em meu estado natal de Nova Jersey, e nos estados vizinhos de Pensilvânia e Nova York. Ter sido aceito pela Universidade do Alabama deveu-se inteiramente aos apelos de meu pai a um magnânimo médico de Birmingham que clinicava em nossa cidade e usava ternos cortados e costurados com perfeição por meu pai, e aos pedidos desse médico, em meu favor, a um antigo colega de classe e amigo de toda a vida, que na época ocupava o cargo de reitor de admissões daquela universidade.

Minhas principais conquistas durante os quatro anos que passei no campus da Universidade do Alabama foram ser nomeado editor de esportes do semanário da faculdade e a popularidade por assinar uma coluna intitulada “Sports Gay-zing”, na qual, muitas vezes misturando humor com gentileza e opiniões veladas, mostrava pelo melhor ângulo possível algumas das piores exibições atléticas da gloriosa história da universidade. Até mesmo o time de futebol americano da Alabama, que durante muito tempo se habituara a fazer jus à reputação nacional de estar sempre entre os dez melhores, passou, enquanto estudei ali, por alguns de seus dias mais tristes desde a Guerra Civil. Embora sua glória tivesse sido restaurada depois de 1958, com a chegada do hoje lendário técnico Paul “Bear” Bryant, em minha época cada temporada foi, no mais das vezes, motivo de um clima de velório no estado a cada fim-de-semana. E o técnico do time, natural da Nova Inglaterra, chamado Harold “Red” Drew, tinha sua efígie sistematicamente queimada nas noites de sábado, no meio do campo, por bandos de rapazes turbulentos e suas namoradas, candidatos a fraternidades masculinas e femininas, mas ainda não iniciados, que tinham passado a tarde a costurar panos de saco para produzir figuras, em tamanho natural, de olhos esbugalhados e rostos gorduchos e avermelhados com blush, que supostamente representavam os traços de Red Drew.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Pedir perdão, limpar o passado...


Nova York - Além de trocar dry martinis por suco de laranja nas recepções da Casa Branca, o ex-presidente democrata Jimmy Carter (1977-81) também proibiu algumas liturgias do cargo, como o hino "Hail to the Chief", durante sua presidência. A idéia era de que o presidente, depois de tantos anos de abusos dos republicanos, capitaneados por Richard Nixon, passasse a imagem de homem comum para os norte-americanos. Desnecessário dizer que deu errado. Passando a imagem de fraco, mortal e humilde, Carter foi defenestrado do cargo pelo falcão republicano Ronald Reagan, que voltou com a arrogância, as bombas e o poderio da Presidência, inclusive os dry martinis das recepções da Casa Branca.
Barack Obama parece não ser tão ingênuo quanto Carter, mas hoje segue caminho semelhante - e para muita gente perigoso - pedindo perdão pelos pecados americanos em três continentes, e em menos de 100 dias. Na França, como lembrou o novo porta voz dos Republicanos, Karl Rove (o mágico que elegeu George W. Bush) no The Wall Street Journal, disse que os Estados Unidos têm sido arrogantes e desdenhosos, "e logo com os franceses". Em Praga, lembrou Rove, disse que a América tem a responsabilidade moral de agir no controle de armas porque foi o único país a usar a arma nuclear. Em Londres, disse que as decisões sobre o sistema financeiro mundial não são feitas mais como no tempo em que Roosevelt e Churchill sentavam-se numa sala tomando brandy. E, na América Latina, disse que o país não tem perseguido um engajamento sustentável com seus vizinhos.
Obama, negro e filho de imigrantes, parece ser mais sábio que o branquelo e ex-fazendeiro de amendoins Jimmy Carter, que embora morto politicamente depois da Casa Branca ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Ao levantar-se da cadeira para ganhar um livro de presente do venezuelano Hugo Chavez (o antiquado "Veias Abertas da América Latina") , durante uma recente reunião de cúpula, mostra elegância e respeito com o ditador venezuelano, roubando-lhe um inimigo imaginário, os Estados Unidos, sobre o qual Chaves conclama seu povo a lutar contra. Ao abrir as portas para Cuba, pode matar de vez a ditadura castrista (se é que jela já não está morta) instalando McDonald's e Starbucks na ilha proibida. Ao gravar mensagens de paz no YouTube para o mundo muçulmano, também subtrai dos terroristas a justificativa para que novos ataques sejam deflagrados contra os Estados Unidos.
Nestes primeiros 100 dias de Presidência, Obama causou da ira dos republicanos porque, sendo um estadista ou um super-star, como reclamam eles, cria novos parâmetros de eficiência para a Presidência, reinagura a diplomacia do diálogo e cooperação entre os Estados Unidos, que respondem por um terço do Produto Interno do Bruto do mundo, e outras centenas de países que vivem em torno ou em função deste chamado império da era moderna.
Por isto mesmo o novo presidente norte-americano parece ter saído por encomenda de um sonho coletivo não só do país que governa, como também de todo o mundo. Expõe com delicadeza e paciência o ridículo das guerras, da destruição da natureza, das religiões misturadas ao poder, ou das bravatas que se tornaram lugar comum nos anos Bush. Acalma os ânimos, abre possibilidades, desenha portas para o entendimento. Coisa que o mundo nunca viu. Nem mesmo com Jimmy Carter.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Obama, a Rainha, o Ipod e a pedra da Lua


Seattle - Barack Obama teria dado presente melhor à octagenária rainha Elizabeth II, durante visita ao Palácio de Buckingham semana passada? O Ipod , este minúsculo tocador de música (e de muitas outras coisas) inventado em 2001 por Steve Jobs já vendeu mais de 173 milhões de aparelhos em todo o mundo. Mais do que um milagre do design, é o melhor exemplo do empreendorismo e inovação dos Estados Unidos desde que, em 1969, Neil Armstrong trouxe de volta para Terra uma pedra da Lua. Dentro do Ipod, Obama, que gosta tanto de tecnologia quanto de Michelle, colocou 200 fotos da visita da nobre britânica aos Estados Unidos em 2007, durante visita oficial. A rainha agradeceu, retribuiu com uma foto do casal real autografada, e até hoje deve estar sem dormir tentando descobrir as nuances do seu novo brinquedo.
Os Estados Unidos podem estar dando adeus a mais de meio século de domínio mundial, tanto econômico como tecnológico, mas é pródigo em chocar o resto do mundo com simplicidade e elegância. Durante uma das maiores feiras mundiais de todos os tempos, em Osaka, Japão, em 1970, visitada por 64 milhões de pessoas, levou apenas uma imensa abóbada de alumínio. Outros países encharcaram seus pavilhões com milhares de produtos, fotos, expositores e tudo mais. No pavilhão americano, apenas a pedra da Lua, obtida um ano antes durante a viagem da Apolo 11. Desnecessário dizer que foi o país mais visitado.
Agora, quase 40 anos depois, o Ipod parece conquistar todo o mundo como a pedra da Lua. Só nos Estados Unidos, o aparelhinho responde por 90% do mercado de players, sendo responsável por quase 50% das vendas da Apple, atingindo mais de US$ 10 bilhões a cada trimestre. Explica-se que a base do seu sucesso esteja na falta de teclados, um monte de teclas incompreensivelmente juntas que existe desde que Gutenberg inventou a impressão, mas que tem sido objeto de revolta de Jobs desde quando começou a ler e escrever. Ao invés de teclar, Jobs sugeriu tocar - e todo mundo adorou.
Mais do que um simples player, o Ipod também carrega fotos, vídeos, games, agendas, e-mails, marcadores da Internet, calendários e muito mais. Seu sucesso não está apenas entre adolescentes alienados. Está no ouvido de empresários e alunos de MBA em universidades, que têm em mãos uma 'memória adicional' com tudo que eles precisam ter durante lapsos de tempo durante uma ou outra atividade.
O nome Ipod foi sugerido por Vinnie Chieco, um escritor free lancer, que foi chamado pela Apple para ajudar no marketing do produto. Chieco, ao ver o protótipo, lembrou do filme 2001, Uma Odisséia no Espaço, onde se fala para o computador-comandante 'Open de pod bay door, Hal', numa referência ao veículo espacial.
Desde que nasceu, o Ipod tem ganho prêmios de excelência em tecnologia, de produto mais inovador, de melhor produto computadorizado do mundo, melhor design, facilidade de uso, e por aí vai. Revolucionou a forma como interagimos com diversos conteúdos, roubando mercado de cds, dvds, livros e, assim, mudando completamente os modelos de negócios de empresas que pensavam que o mundo não ia mudar. Mais do que tudo, foi o responsável por trazer Jobs, o homem que criou o computador pessoal, ao centro do espetáculo da tecnologia. Agora também no Palácio de Buckingham."

terça-feira, 31 de março de 2009

10 coisas que aprendi sobre redes sociais

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NPR: do povo, pelo povo, para o povo


Fairfield, Connecticut - Nestes tempos de fim de mundo, onde tudo que é sólido está se desmanchando no ar, a NPR, a adorada rádio pública norte-americana, está se arrebentando em rios de dinheiro e sucesso. Está certo que a autarquia, fundada pelo ex-presidente Lyndon Johnson em 1970, ganhou há cinco anos a maior doação já recebida por uma instituição norte-americana, US$ 200 milhões da viúva de Jay Kroc, o fundador do McDonald's, mas parece inexplicável que a NPR tenha dobrado de ouvintes de 1999 para cá, chegando a 26,4 milhões, bem à frente do jornal de maior circulação nos Estados Unidos (USA Today, com 2,3 milhões de leitores), e os telespectadores do horário nobre de uma emissora como a Fox News (2,8 milhões).
Mas onde a NPR está se revelando mesmo é na chamada nova mídia. A rádio é a campeã de downloads (14 milhões diários) no Itunes. Sua página na internet, npr.org, é visitada por oito milhões de pessoas diariamente, e a redes sociais que se alimentam de sua programação costumam ficar, no mínimo, "congestionadas". A revista Fast Company, uma espécie de bíblia do empreendedorismo americano, acaba de fazer uma reportagem investigativa sobre o sucesso da NPR entre os gringos, e o mistério só aumentou. Diante da falta de razões, só sobrou uma justificativa: um caso de amor do público por uma rádio criada do povo, pelo povo e para o povo.
O faturamento da NPR hoje chega a US$ 159 milhões, com um lucro (isto mesmo, lucro) líquido de US$ 18.9 milhões. O dinheiro vem em grande parte (43%) das 860 estações-membro espalhadas por todos os Estados Unidos. Em segundo lugar (29%), vem o patrocínio de corporações (especialmente fundações), concebidos na forma de apoio à sua programação (mais fundação Roberto Marinho do que Casas Bahia, digamos assim). 15% originam-se de doações de empresas e principalmente do público, que anualmente participa de campanhas de arrecadação de fundos durante um dia da programação. Apenas 2% vem do governo, através de um fundo chamado Corporation for Public Broadcasting.
Ou seja, a rádio é pública, mas dinheiro do governo quase não existe. É a própria sociedade organizada que mantém e faz o sucesso da NPR. Com a crise econômica, a rádio também não ficou impune. Prevê-se que, a continuar a seca de doações e patrocínios institucionais, vai ter um déficit de US$ 23 milhões no ano fiscal de 2009. Neste ambiente, foi cortado 7% da força de trabalho e cancelados dois shows (News and Notes e Day to Day). É a pior crise desde o início dos anos 80.
Mesmo assim, os executivos e repórteres da NPR estão confiantes que passarão estes tempos medonhos de uma forma menos drástica, já que a organização não depende somente dos patrocínios, pode utilizar US$ 15 milhões anuais das suas reservas e, acima de tudo, confia que sua audiência não vai diminuir. Mais ainda, os salários da NPR são irrisórios quando comparados aos de estrelas da mídia de TV, por exemplo. "O salário de um âncora de TV dá para pegar três vezes o orçamento de um dos programas de maior audiência, o Morning Edition ", diz um dos vice-presidentes da rádio. Não fosse este caso de amor com a NPR, a audiência será para sempre cativa. Afinal, dizem eles, pouca gente hoje tem tempo para ler jornal, mas é capaz de ficar horas no trânsito, voluntária ou involuntariamente, ouvindo sua programação.

domingo, 29 de março de 2009

The Death and Life of Great American Newspapers

This article appeared in the April 6, 2009 edition of The Nation.
March 18, 2009

John Nichols and Robert W. McChesney were the founders, with Josh Silver, of Free Press, which has launched a campaign to save the news. Their book, Saving Journalism: The Soul of Democracy, will be published by New Press in the fall.

AVENGING ANGELS

Communities across America are suffering through a crisis that could leave a dramatically diminished version of democracy in its wake. It is not the economic meltdown, although the crisis is related to the broader day of reckoning that appears to have arrived. The crisis of which we speak involves more than mere economics. Journalism is collapsing, and with it comes the most serious threat in our lifetimes to self-government and the rule of law as it has been understood here in the United States.


After years of neglecting signs of trouble, elite opinion-makers have begun in recent months to recognize that things have gone horribly awry. Journals ranging from Time, The New Yorker, The Atlantic and The New Republic to the New York Times and the Los Angeles Times concur on the diagnosis: newspapers, as we have known them, are disintegrating and are possibly on the verge of extinction. Time's Walter Isaacson describes the situation as having "reached meltdown proportions" and concludes, "It is now possible to contemplate a time in the near future when major towns will no longer have a newspaper and when magazines and network news operations will employ no more than a handful of reporters." A newspaper industry that still employs roughly 50,000 journalists--the vast majority of the remaining practitioners of the craft--is teetering on the brink.

Blame has been laid first and foremost on the Internet, for luring away advertisers and readers, and on the economic meltdown, which has demolished revenues and hammered debt-laden media firms. But for all the ink spilled addressing the dire circumstance of the ink-stained wretch, the understanding of what we can do about the crisis has been woefully inadequate. Unless we rethink alternatives and reforms, the media will continue to flail until journalism is all but extinguished.

Let's begin with the crisis. In a nutshell, media corporations, after running journalism into the ground, have determined that news gathering and reporting are not profit-making propositions. So they're jumping ship. The country's great regional dailies--the Chicago Tribune, the Los Angeles Times, the Minneapolis Star Tribune, the Philadelphia Inquirer--are in bankruptcy. Denver's Rocky Mountain News recently closed down, ending daily newspaper competition in that city. The owners of the San Francisco Chronicle, reportedly losing $1 million a week, are threatening to shutter the paper, leaving a major city without a major daily newspaper. Big dailies in Seattle (the Times), Chicago (the Sun-Times) and Newark (the Star-Ledger) are reportedly near the point of folding, and smaller dailies like the Baltimore Examiner have already closed. The 101-year-old Christian Science Monitor, in recent years an essential source of international news and analysis, is folding its daily print edition. The Seattle Post-Intelligencer is scuttling its print edition and downsizing from a news staff of 165 to about twenty for its online-only incarnation. Whole newspaper chains--such as Lee Enterprises, the owner of large and medium-size publications that for decades have defined debates in Montana, Iowa and Wisconsin--are struggling as the value of stock shares falls below the price of a single daily paper. And the New York Times needed an emergency injection of hundreds of millions of dollars by Mexican billionaire Carlos Slim in order to stay afloat.

Those are the headlines. Arguably uglier is the death-by-small-cuts of newspapers that are still functioning. Layoffs of reporters and closings of bureaus mean that even if newspapers survive, they have precious few resources for actually doing journalism. Job cuts during the first months of this year--300 at the Los Angeles Times, 205 at the Miami Herald, 156 at the Atlanta Journal-Constitution, 150 at the Kansas City Star, 128 at the Sacramento Bee, 100 at the Providence Journal, 100 at the Hartford Courant, ninety at the San Diego Union-Tribune, thirty at the Wall Street Journal and on and on--suggest that this year will see far more positions eliminated than in 2008, when almost 16,000 were lost. Even Doonesbury's Rick Redfern has been laid off from his job at the Washington Post.

The toll is daunting. As former Washington Post executive editor Leonard Downie Jr. and Post associate editor Robert Kaiser have observed, "A great news organization is difficult to build and tragically easy to disassemble." That disassembling is now in full swing. As journalists are laid off and newspapers cut back or shut down, whole sectors of our civic life go dark. Newspapers that long ago closed their foreign bureaus and eliminated their crack investigative operations are shuttering at warp speed what remains of city hall, statehouse and Washington bureaus. The Cox chain, publisher of the Atlanta Journal-Constitution, the Austin American-Statesman and fifteen other papers, will padlock its DC bureau on April 1--a move that follows the closures of the respected Washington bureaus of Advance Publications (the Newark Star-Ledger, the Cleveland Plain Dealer and others); Copley Newspapers and its flagship San Diego Union-Tribune; as well as those of the once great regional dailies of Des Moines, Hartford, Houston, Pittsburgh, Salt Lake City, San Francisco and Toledo.

Mired in debt and facing massive losses, the managers of corporate newspaper firms seek to right the sinking ship by cutting costs, leading remaining newspaper readers to ask why they are bothering to pay for publications that are pale shadows of themselves. It is the daily newspaper death dance-cum- funeral march.

But it is not just newspapers that are in crisis; it is the institution of journalism itself. By any measure, journalism is missing from most commercial radio. TV news operations have become celebrity- and weather-obsessed "profit centers" rather than the journalistic icons of the Murrow and Cronkite eras. Cable channels "fill the gap" with numberless pundits and "business reporters," who got everything about the last decade wrong but now complain that the government doesn't know how to set things right. Cable news is defensible only because of the occasional newspaper reporter moonlighting as a talking head. But what happens when the last reporter stops collecting a newspaper paycheck and goes into PR or lobbying? She'll leave cable an empty vessel and take the public's right to know anything more than a rhetorical flourish with her.

The Internet and blogosphere, too, depend in large part on "old media" to do original journalism. Web links still refer readers mostly to stories that first appeared in print. Even in more optimistic scenarios, no one has a business model to sustain digital journalism beyond a small number of self-supporting services. The attempts of newspapers to shift their operations online have been commercial failures, as they trade old media dollars for new media pennies. We are enthusiastic about Wikipedia and the potential for collaborative efforts on the web; they can help democratize our media and politics. But they do not replace skilled journalists on the ground covering the events of the day and doing investigative reporting. Indeed, the Internet cannot achieve its revolutionary potential as a citizens' forum without such journalism.

So this is where we stand: much of local and state government, whole federal departments and agencies, American activities around the world, the world itself--vast areas of great public concern--are either neglected or on the verge of neglect. Politicians and administrators will work increasingly without independent scrutiny and without public accountability. We are entering historically uncharted territory in America, a country that from its founding has valued the press not merely as a watchdog but as the essential nurturer of an informed citizenry. The collapse of journalism and the democratic infrastructure it sustains is not a development that anyone, except perhaps corrupt politicians and the interests they serve, looks forward to. Such a crisis demands solutions equal to the task. So what are they?

sexta-feira, 27 de março de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

Dinheiro, prá que dinheiro?

New York - Para o quinto website mais visitado do mundo, a Wikipedia , a enciclopédia colaborativa que busca reunir todos os conhecimentos do ser humano, dinheiro não é tudo na vida. Seu fundador, Jimmy Wales, um ex-trader de opções de Chicago, bem que tentou atrair patrocinadores no início da operação, mas foi rechaçado pelos hoje milhares de colaboradores que nutrem cerca de 12 milhões de páginas sobre tudo - ou quase tudo - que existe na Terra, em mais de 250 línguas. Por que? A verdade é que a Wikipedia não é apenas resultado de um sonho coletivo de conhecimentos livres para nós, terráqueos, mas é também uma amostra do movimento que nasce neste terceiro milênio: sem chefes ou empregados, sem prédios ou telefones, mas onipresente 24 horas por dia, 7 dias por semana, onde o cliente é o centro do universo e a mercadoria não é propriedade de um único dono.
Só tem um probleminha. Sem dinheiro, como esta conta fecha? Esta é a pergunta que não quer calar. Todos os projetos em volta desta nunca vista base de conhecimento, que inclui o Wikibooks, Wikiquote ou Wikinews, são sustentados por uma fundação, a Wikimedia Foundation , que está em San Francisco, mas que por motivos de segurança pouca gente sabe onde está. A Fundação recebe doações que dão para pagar a infraestrutura de rede e seus 25 funcionários, mas está pesquisando formas de rentabilizar a base de dados com projetos empresariais. Este mergulho no mercado é feito com extrema discrição e ética, mas o objetivo da organização é um mundo onde qualquer pessoa terá livre acesso à soma do conhecimento humano. O dinheiro, assim, tornou-se uma barreira que foi transposta com trabalho colaborativo e voluntário.
No documentário Join Us , da Tv Ideal, do Grupo Abril, a Wikipedia é mostrada como o centro do mundo colaborativo, que só surgiu com o advento da Internet. Andrew Lih, um ex funcionário da organização que acaba de lançar o livro "The Wikipedia Revolution ", explica seu sucesso como um "resultado natural" das forças do mercado. "O website tornou-se um fenômeno instantâneo por causa da oferta e demanda - conteúdo equilibrado e confiável é uma commodity rara, e com alta demanda", diz ele. E mais: "a Internet tem gente ansiosa para dividir conhecimentos profundos sobre qualquer coisa, mas até então este povo estava disperso geográfica e logisticamente - A Wikipedia simplesmente apareceu como um espaço para abrigar todo este conhecimento".
Pouca gente fala, no entanto, de outro fenômeno: A Wikipedia, reunindo conhecimento de forma prática e ágil, está tomando o lugar dos jornais. O jornalista Jonathan Dee, do The New York Times, comentou o fato de que o site não é apenas uma enciclopédia on line, mas também fonte de notícias sempre atualizada. Já tornou-se lenda o fato de que a Wikipedia furou a mídia tradicional dando em primeira mão a notícia de morte de gente famosa, como o apresentador da NBC Tim Russell, que sofreu um ataque de coração fulminante.
Quem está contra a Wikipedia? Algumas pessoas que criticam certas distorções ou mentiras em determinadas páginas - como o fato da cantora Britney Spears ter o mesmo espaço que o filósofo Sócrates, ou muitos professores que identificam pesquisas e deveres-de-casa dos estudantes copiados literalmente do site, sem nenhuma outra fonte. Mesmo a cópia sendo permitida pela licença da enciclopédia, a própria comunidade não aconselha essa atitude, pois eles não consideram a Wikipedia como fonte primária. Quanto a revista Time elegeu VOCÊ como a pessoa do ano em 2006, citou o sucesso da colaboração online e a interação de milhões de pessoas ao redor do mundo. É o que a Wikipedia representa.