terça-feira, 27 de março de 2007

Governo não resolve problema: ele é o problema

Esta semana faz 25 anos que o Ronald Wilson Reagan, o quadragésimo presidente norte-americano, assinou o Economic Recovery Tax Act, que cortou de uma vez 25% dos impostos das pessoas físicas e empresas em todo o país. Ex-ator de filmes B de Hollywood, dedo-duro da época do Marcartismo, Reagan, ainda em seus oito anos de governo, acabou com a União Soviética, o chamado Império do Mal, ajudou a derrubar o Muro de Berlim, levou tiros de um aloprado que se escondia atrás dos jornalistas e - esta é demais – demitiu sumariamente exatos 11 mil 359 controladores de tráfego aéreo que estavam em greve, deixando milhares de aeronaves literalmente fora do ar.
Seu governo é execrado, estudado, admirado pela esquerda e reverenciadocultuado pelos chamados “verdadeiros” republicanos – aqueles que acreditam na separação entre Igreja e Estado - até hoje. Nenhum presidente encarnou tão bem três idéias fixas: liberdade econômica, redução de impostos e desregulamentação. Segundo o cowboy, que morreu em 2004 de complicações resultantes de uma década de Mal de Alzheimer, o mercado foi, é e sempre será o rei. A Heritage Foundation calcula que o corte de impostos de Reagan levou o déficit público para o espaço – quase US$ 1 trilhão -, mas detonou uma onda de cortes que iria se espalhar no próximo um quarto de século por dezenas de países em todo o mundo criando, só nos Estados Unidos, cerca de 40 milhões de novos empregos, mais do que todo o mundo industrilizado combinado.
Todo presidente em campanha promete redução de impostos, mas basta sentar na cadeira e ver o buraco nas contas que a coisa muda. George Bush (pai), que durante os discursos de campanha falava “leiam os meus lábios – eu não vou aumentar os impostos”, e acabou aumentando, pagou caro por isto. É preciso ser, como se diz, muito macho (ou no caso feminino, uma mulher de fibra) para ir contra tudo e contra todos, cortar a receita de hoje e apostar na (incerta) receita de amanhã. Reagan, como disse a revista Newsweek logo que assumiu, em 1981, só tinha uma bala no gatilho (lembram-se de Collor?) ao “herdar ao mais perigosa crise econômica desde que Franklin Roosevelt assumiu há (naquela época) 48 anos”.
A coisa estava feia. Depois de sucessivos choques nos preços doe de petróleo e de longos quatro anos do democrata Jimmy Carter, os Estados Unidos viviam o que se passou a chamar “estaguinflação”, a desastrosa combinação de baixo crescimento econômico com a disparada dos preços que muita gente está cansada de ver. Com juros de 20% ao ano para a compra da casa própria, disparate que aqui soa como xingar a mãe, o país estava com o moral tão baixo que os soviéticos aproveitaram para invadir o Afeganistão e outros comunistas para lançar bases nas Nicarágua e na África. O mundo livre, como gostava de dizerdiria o Capitão América dos quadrinhos (por sinal, ídolo de Reagan), estava em perigo.
Com o gatilho da redução dos impostos, Reagan (pronuncia-se rêeegan, e não rígan) fez com que o índice Dow Jones subisse nos próximos anos de 800 para 11 mil pontos, aumentando a riqueza nacional em US$ 25 trilhões. Hoje, a taxa média de impostos sobre pessoas e empresas está em 35%, comparada com quase 70% em 1981. Em 1970 os impostos sobre dividendos eram de 70%. Hoje estão em 15%. Estas reduções atraíram mais de US$ 3 trilhões em investimentos estrangeiros para o paraíso doe de capitalismo.
Nada mal para um homem que nunca entendeu de economia, quase nada de política e nem sabia o que significava “tudo pelo social”. A solução, para ele, era tirar o governo do planejamento, do controle (e, dese possível, de quase tudo) reduzindo os impostos. Os mecanismos do mercado, como propagava o que se passou a chamar “Reaganomics”, encarregariam-se de corrigir as distorções. Durante seu discurso de posse, bradou: “o governo não é a solução dos nossos problemas – o governo é o problema”.
Republicano de carteirinha, Reagan passou seus últimos dias cavalgando e cortando lenha em seu refúgio, Rancho Del Cielo, perto de Santa Bárbara, na Califórnia, estado onde foi governador na década de 70. Num belo dia os japoneses insistiram para que ele abandonasse seus cavalos e fizesse um discurso no Japão. O “Grande Comunicador”, como era chamado na época, relutantemente aceitou. Cobrou US$ 2 milhões.
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